1.7.12

EXPOSIÇÃO DIÁLOGOS EM BERLIM

A exposição Diálogos, graças aos esforços do Florian e da Yili, vai ser aberta em Berlim.
Será de 10 de julho a 31 de agosto
na Embaixada Brasileira em Berlim, Alemanha.



Diálogos – um olhar sobre a Escola de Xilografia do Horto
Foi realizado o levantamento e registro das matrizes, referentes à Escola de Xilografia do Horto (São Paulo), existentes no Museu Florestal Octávio Vecchi que se encontra dentro do Parque Alberto Löfgren (Horto Florestal). Foram impressas 417 matrizes. Algumas nunca haviam sido impressas!
Os 15 artistas convidados produziram xilogravuras criando um diálogo entre seus trabalhos e essas imagens da década de 40. 

ARTISTAS PARTICIPANTES:
André de Miranda
Cleber Alexsander
Cleiri Cardoso
Florian Foerster
Francisco Maringelli
Georgina Torres
Gilberto Tomé
Luciano Ogura
Maria Pinto
Maura de Andrade
Márcio Pannunzio
Miriam Zegrer
Sérgio Antunes Kal
Ulysses Bôscolo
Yili Rojas

Idealização e coordenação: Maria Pinto e Maura de Andrade

Dialoguei com a xilo abaixo



André de Miranda


ENTREI PELO CANO
xilogravura impressa sobre classificados de jornal de lançamento de novos prédios
144 X 249 mm
2011

Um pouco da história e técnica da
ESCOLA DE XILOGRAFIA DO HORTO FLORESTAL DE SP.

Fundado em 1886, o Instituto Florestal (Serviço Florestal) tinha a função de catalogar a fauna e a flora do estado de São Paulo. Octávio Vecchi (1878-1932), português e engenheiro agrônomo, em 1927, assumiu o cargo de diretor do Serviço Florestal e quatro anos depois, criou o Museu Florestal, hoje Museu Florestal Octavio Vecchi, onde é possivel apreciar a utilização das madeiras paulistas.

A escola de xilografia do Horto nasceu em 1940, já sob a direção de José Camargo Cabral, com a intenção de formar xilógrafos impressores. Anacrônica, pois esse ofício que teve seu auge em 1870, mas importante pelo acervo deixado.

Foi escolhido como professor, o alemão Adolf Köhler (1882-1950), que estava no Brasil desde 1927, onde montara um ateliê na Rua Boa Vista, centro de São Paulo, oferecendo ilustrações para catálogos, anúncios de lojas, carimbos e ex-libris. Havia tentado uma carreira artística participando do I Salão Paulista de Belas Artes, em 1934, com quatro retratos em xilografia.



buris usados pelos alunos

Köhler tinha uma sólida formação em xilografia, jovem fez a formação na Alemanha e estágios de aperfeiçoamento na França e na Hungria, estabelecendo aos 31 anos de idade, um pequeno ateliê à Berlim.
Adolf Köhler trabalhando na Escola de Xilografia do Horto (foto do acervo do Museu Octavio Vecchi)
Foram recrutados alunos entre os funcionários do serviço florestal que tivessem alguma aptidão para o desenho. Muitos deles, após a experiência, foram transferidos para outras tarefas e nunca mais fizeram uma única gravura. Rosita Gouveia() registra que alguns moradores locais se ofereceram como alunos procurando profissionalização.

A Escola funcionou regularmente até 1945, quando em 1946 houve uma debandada dos alunos que foram classificados funcionalmente com “trabalhador braçal” – a mais baixa remuneração do Serviço Florestal, quando todos esperavam ser “desenhistas”, a carreira profissional que desejavam. A escola quase não resistiu a esse baque porque mesmo alunos talentosos pediram suas transferências a outros setores onde teriam maior remuneração. Apesar de tudo, a escola funcionou até 1950 quando o mestre morreu. Formou alguns gravadores: José Cruz, Waldemar Moll, que trabalhou nessa profissão na revista “Chácaras e Quintais” e Itajahy Martins ( ) foi o único aluno que seguiu uma carreira artística, rebelde às técnicas de ensino da escola, foi um grande divulgador da xilogravura e o primeiro titular de uma disciplina de gravura no Brasil.

Köhler também influenciou a gravura de Lívio Abramo (1903-1922). Em 1950 quando ganhou o prêmio viagem no Salão Nacional de Belas Artes usou justamente madeiras preparadas pelo alemão. Reproduzimos aqui depoimento do artista, dado em 10.03.86:

“O meu aprendizado com o Köhler na gravura de reprodução resultou muito importante para mim. Não como linguagem técnica simplesmente, mas aperfeiçoando a estética dos efeitos gráficos. Eu já conhecia a madeira de topo, mas fiz esse tipo de gravura incentivado pelo Köhler. Eu era admirador da gravura de reprodução do século passado, que não é só de “reprodução”, mas também artística em grau extremo. E eu, então, estava louco para aprender essa técnica e quando o Köhlerchegou e me explicou como se fazia, eu apliquei em parte porque a minha visão plástica era diferente da dos gravadores do século passado. Mas eu achava, e acho ainda, que é uma técnica que pode ser usada pelos artistas modernos com todos os créditos de modernidade que a gente possa dar a eles.

O Köhler era uma pessoa que eu me lembro com muito carinho, com muito respeito e me ensinou muitas coisas que eu, gravador incipiente, não sabia. Ele morreu esquecido e o seu trabalho que poderia ser tão importante do ponto de vista cultural, assim como a permanência de uma técnica artística tão rara, se perdeu. Foi uma pena.”

Nossa intenção é justamente que esse trabalho não fique perdido, que o público possa ver essas imagens e aprender através delas.

Método didático

A Escola seguia os princípios didáticos da gravura de reprodução: cópia, reprodução, controle formal e temático. Apoiava-se nos ensinamentos que recebeu Adolph Köhler na Alemanha, ou seja, método de profissionalização de xilógrafos empregado de 1850 a 1900. Havia anonimato e padronização, o que era útil à imprensa da época, onde um bloco podia ser feito por vários artistas.
Portanto, a não ser, poucas matrizes, onde a rebeldia ou a necessidade de afirmar que aquela obra era sua, fizeram o aprendiz marcar seu nome ou iniciais no bloco. Por princípio, todas as matrizes do Horto deveriam ser anônimas. Não se queria criatividade e que os gravadores pudessem dar qualquer toque pessoal ao desenho, mas que fossem exímios copistas. Por isso, muitos desenhos são repetidos.




gravura e matrizes da Escola de Xilografia do Horto Florestal de São Paulo.

3 comentários:

Lília Sentinger Manfroi disse...

Olá, gostei muito de toda esta história! Penso que o passado fortalece o presente e marca o futuro.
Muito bom, abraço, Lília Manfroi

Lília Sentinger Manfroi disse...

Olá, gostei muito de toda esta história! Penso que o passado fortalece o presente e marca o futuro.
Muito bom, abraço, Lília Manfroi

raquel Lima disse...

Parabéns a todos pela pesquisa divulgada aqui. Muito bom o resgate de historia como essa, ainda bem que não se perdeu, como tantas outras.